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PLANOS

 

Dança do Leão - Mou Si
Mandarin pinyin: Wǔ shī

A Dança do Leão faz parte do folclore Chinês e representa o espírito marcial de uma escola tradicional de Kung Fu. Segundo a tradição é realizada para espantar os maus espíritos, trazer muita sorte, felicidade e prosperidade nas festividades e comemorações chinesas, bem como em eventos de grande importância, tais como: Aberturas oficiais de jogos, recepções aos governantes, casamentos, inaugurações de negócios, etc.

Diz-se que nenhuma escola de Kung Fu é considerada completa sem uma equipe de Dança do Leão e assim como a arte marcial, a Dança do Leão vem sendo passada de mestre para discípulo há séculos. As habilidades necessárias para as apresentações incluem força, resistência, flexibilidade, equilíbrio, e a habilidade de visualizar e improvisar movimentos expressivos. A pesada cabeça do leão requer um praticante com braços e ombros fortes, e a movimentação de pernas incluem as mais variadas posturas e chutes do Kung Fu. A pessoa que fica na cauda permanece com as costas inclinadas a maior parte do tempo, o que requer pernas e costas muito fortes.

A História

A Dança do Leão tem uma história muito longa. O primeiro registro de uma apresentação de uma forma arcaica de Dança do Leão data das dinastias Qin e Han ( 300 A.C.). Entretanto existem muitas diferentes história e mitos sobre como e quando se originou, e não existem registros históricos exatos sobre seu nascimento.

1 - O sonho do Imperador: Uma das histórias mais populares coloca a origem da Dança do Leão na dinastia Tang (618 - 907 d.C.). De acordo com a lenda, o imperador da época teve um estranho sonho numa noite. Neste sonho, uma estranha criatura (leão) salvou sua vida e o levou para um lugar seguro. No dia seguinte, desejando saber que criatura era aquela e qual o significado de seu sonho, o imperador reuniu seus ministros e descreveu seu sonho. Um deles explicou ao imperador que aquela estranha criatura era semelhante a um animal do ocidente (leão). O Imperador ordenou que construíssem figuras representando esse animal “mítico”, começaram então a esculpir Leões para as entrada dos palácios, pinturas de Leões nas paredes, e confeccionar trajes e fantasias para representar esse animal em espetáculos para a corte imperial e por ter salvado sua vida em seu sonho, o Leão se tornou símbolo de sorte, felicidade e prosperidade.

2 - O monge que guia: Outra história conta sobre um leão que freqüentemente aterrorizava uma pequena vila na China. Para cessar com os ataques da besta, os moradores se juntavam batendo potes e panelas para fazer um barulho tão alto que espantasse a fera. Ainda se conta que alguns moradores da vila se vestiam com uma fantasia que parecia um leão. Eventualmente seus truques funcionavam e o leão desaparecia. Outra versão dessa mesma história conta que os moradores não sabiam como parar os ataques do leão, então foram consultar um monge budista para obter ajuda. Este monge teria domado o leão, que passou a ser o protetor da vila. O Monge é geralmente representado pelo Buda com cabeça grande (dai tau fo), visto nas apresentações de Dança do Leão do Sul da China.

3 - A Deusa da Misericórdia: Esta outra versão é considerada mais mitológica. Ela conta que o Leão nasceu no Céu. A lenda diz que o animal era muito travesso e pregava peças, portanto criava muitos problemas para todos. Numa ocasião ele resolveu pregar uma peça no Imperador de Jade. Por causa de sua travessura, o Imperador ficou furioso e matou o leão, cortando sua cabeça e separando-a do corpo. O Imperador de Jade então jogou a cabeça e o corpo do leão na Terra para apodrecer. Entretanto, não muito depois deste incidente, Quan Yin (Deusa da Misericórdia) sentiu pena do leão e decidiu ajudá-lo. Com uma longa faixa vermelha, ela amarrou a cabeça do leão de volta ao seu corpo e o trouxe de novamente à vida. Essa faixa vermelha aparece até hoje nos leões chineses e se diz que tem a habilidade de evitar os maus espíritos. Quan Yin ainda deu ao leão um chifre para lutar e um espelho para espantar os espíritos ruins.

Importância do Leão

O leão é parte importante nas celebrações de ano novo chinês mas também foi usada como expressão viva da revolução política no sul da China em especial em Guang dong. Na época da Dinastia Chin, um governo totalitário e tirano proibiu qualquer forma de expressão marcial e levava seu povo a miséria, descontentes alguns grupos de patriotas chineses, em especial o Hung Mon (clã Hung) usavam a dança como meio secreto para se comunicar e organizar rebeliões, bem como saques de alimentos para o povo, a dança do leão era apresentada de aldeia em aldeia com disfarce de celebração para na realidade trocar informações e arrecadar dinheiro através do Coiqing..

O Leão é tradicionalmente considerado como uma criatura guardiã em muitas culturas asiáticas. A dança do leão é realizada em muitas culturas asiáticas, incluindo China, Japão, Vietnã, Coréia, Taiwan e Tailândia, entre outros, cada país possuindo seu estilo e propósitos próprios.

Para o estudante moderno a dança oferece além do folclore chinês exercícios vigorosos, tanto cardiovasculares como muscular, e, sobre tudo trabalho técnico onde oferece a oportunidade de identificar sua escola através de posturas e rotinas, assim o estudante de kung fu vem a conhecer os aspectos das artes marciais chinesas como: o valor das armas tradicionais, as formas mão-vazias, o aspectos sociais como o respeito e a cortesia para com seu Sifu, irmãos e sociedade.

Dança fora-da-lei: Durante as décadas de 1950-60 em Hong Kong, algumas trupes de dança do leão eram compostas por bandidos que se aproveitavam do respeito do povo chinês pela dtradição da Dança para arranjar brigas entre escolas, roubar e até cometer assassinatos. Alguns truques acrobáticos eram utilizados para que o leão "lutasse" e nocauteasse outros leões rivais. Os participantes chegavam mesmo a esconder adagas em suas roupas e sapatos, as quais podiam ser usadas para ferir as pernas de outros dançarinos, ou mesmo colocavam um chifre de metal na testa do leão, o qual podia ser usado para golpear a cabeça de outros leões. Os pais tinham medo que seus filhos se juntassem à trupe de dança do leão por causa da associação "criminosa" de seus membros. A violência chegou a tal ponto que o governo de Hong Kong teve de proibir completamente a dança do leão.

Hoje em muitos lugares as trupes de dança do leão devem obter uma autorização das autoridades para poder realizar a dança. Embora ainda haja certo grau de competitividade, as trupes tornaram-se bem menos violentas e agressivas. Hoje, a dança do leão é uma atividade muito mais voltada para os esportes e a recreação do que a representação de um determinado modo de vida.

Estrutura

A cabeça é construída de um vigamento de bambu e coberta com papel colorido que encarna sua forma, dentro da cabeça está um sistema de alavancas e cordas que permite ao dançarino manipular olhos e orelhas e preso a parte inferior da cabeça fica uma placa articulada que representa sua boca. Um longo manto de tecido multicolorido forma o corpo e rabo (a opção de se usar calças acompanhando o manto). Um Leão completo pesa em torno de 10 kg.

Estilos diferentes e tipos de leões.
Os dois tipos mais populares de dança do leão na cultura chinesa.

Leão do Norte (Leão Circense)

A dança nortista se originou nas regiões setentrionais da China onde fica sua capital, Beijing e a “cidade proibida”, era usada para o entretenimento da corte imperial.

Durante uma apresentação, os leões nortistas se parecem com um cão pequinês, e seus movimentos são muito realistas. Acrobacias são muito comuns, com proezas como se equilibrar ou se balançar sobre uma bola gigante. Leões nortistas às vezes aparecem como uma família, com dois grandes leões "adultos" e um par de "leõezinhos", esse costume é conhecido como: Lar da Dança do Leão

No norte, é comum os leões aparecem em pares, são geralmente de cor vermelha, laranja e amarela (às vezes com pelagem verde para a leoa), e de aparência desgrenhada com a cabeça dourada.

Leão do Sul (Leão marcial)

Guang dong é o lar da Dança do leão Sulista. No sul a dança é de natureza mais simbólica, realizada geralmente como uma cerimônia para exorcizar espíritos maléficos e para invocar sorte e felicidade. O Leão sulista exibe uma vasta variedade de cores e tem uma cabeça peculiar com grandes olhos, um espelho na testa e um chifre único no centro da cabeça e podem ser subdivididos em três tipos:

Foshan – Significa “montanha de Budha”, è o modelo mais antigo, remontando alguns séculos, tem a maior cabeça dentre todos os tipos, a boca é arredondada em arco para cima, dando boa visão pela mesma ao dançarino e tem uma expressão mais séria, chegando a ser até brava.

Hokshan – Significa “montanha da Garça”, é o que chamamos de “leão moderno”, tem a cabeça menor, a boca é quase um “prato horizontal” voltado para frente, muitos o chamam de “leão boca-de-pato” devido a essa peculiaridade, tem um semblante mais carinhoso, parecendo um “cãozinho feliz”. Muito usado na Malásia e Indonésia, hoje é o leão mais usado nas competições de dança do Leão.

FoHok – Significa “Garça e Budha”, é um híbrido dos dois primeiros, tem o tamanho da cabeça do Hokshan com o formato da boca do Foshan, é usado em ambos os casos (marcial e competição)

Cores

Existe simbolismo em certas cores como por exemplo:

Leão dourado, representando vigor; Leão vermelho, representando coragem; Leão verde, representando amizade. E alem destes alguns Leões são homenagens a personagens históricos chineses. Três famosos leões são identificados como: Liu Bei, Guan Yu e Zhang Fei. Eles representam personagens históricos da dinastia Shu Han, registrados no clássico Romance dos Três Reinos (San Guo - 280- 220 A.C.): 

Liu Bei - Foi imperador do reino de Shu , mais velho dos três, reputado por sua inteligência e possuidor de um caráter muito doce. O Leão de figura branca tem uma cara amarela, cauda multicolorida e pelagem branca. Ele é descrito como um sábio usado pelos mestres das escolas de Kung Fu.

Guan Yu - Um dos “cinco generais tigres” em "o Romance dos 3 reinos", é talvez o maior general da china, conhecido por seu extraordinário domínio da técnica marcial, valentia e coragem assim como pela devoção a amizade é descrito como o mais nobre dos leões, usado mais comumente em cerimônias. O Leão tem uma cara e cauda vermelha, e pelagem negra ou branca.

Zhang Fei - Também general é um dos “cinco generais tigres”, irmão de Liu Bei e Guan Yu por pacto de sangue, muito forte na prática do Kung Fu, feroz e igualmente corajoso, mas dotado de um espírito simples e rude é descrito como o leão mais agressivo, usado por jovens mestres que desejam provar o próprio valor. O Leão tem cara, cauda e pelagem negras.

As Rotinas 

Rotinas são os movimentos e expressões que tradicionalmente o Leão faz durante a Dança:

Algumas Rotinas:  

Batismo do Leão :Antes da primeira dança, o Leão recebe um batismo formal, pinga-se sangue de galo nos olhos do leão e amarra-se uma faixa vermelha no chifre.  

Leão dormindo: essa rotina é normalmente feita após a cerimônia do batismo, o atleta fica com os olhos semicerrados, sua perna direita fica a frente da esquerda tropeçando de sono e então fica sentado em uma posição encolhida enquanto se inicia um balanço de um lado para o outro de forma lenta como se o leão estivesse dormindo, de repente abre os olhos maneja as orelhas se coça se lambe e a partir daí inicia-se vários passos e movimentos com a cabeça.

Bai Si - Leão reverenciando: O leão movimenta-se para frente levantando a cabeça e retorna para traz com a cabeça baixa fazendo uma reverencia em sinal de saudação.

Hei Si - Leão em vigilância: Leão ergue a cabeça e morde o ar, boceja, caça moscas.

Hang Gai - Passear na rua: Leão caminha com a cabeça em média e baixa estatura (as vezes levanta) sempre olhando para os lados enquanto nunca perde o foco de seu objetivo, o Qing Coi.

Tan Qing - Aproximar-se do “verde”: Leão vai se aproximando lentamente, sempre cauteloso e as vezes se assustando e tentando novamente.

Dan Fong Qiu Yeung - Fénix olhando o sol: O Leão pula ao redor de seu objetivo cruzando as pernas no ar e balançando a cabeça com o foco no Qing Coi.

Seung Fong Qiu Yeung - Duas fénix olhando o sol: A cace a e cauda do Leão fazem cruzadas para direita e esquerda erguendo a cabeça do Leão demonstrando coragem para subir no obstáculo a sua frente.

Chat Sing - Sete estrelas: São sete movimentos que o leão faz acompanhando uma batida do tambor que também se chama Chat Sing

Coi Qing - Colher o “ verde ” : Durante o Ano novo chinês, dançarinos do leão de escolas de artes marciais costumam visitar lojas, o comerciante amarra um envelope vermelho contendo dinheiro numa cabeça de alface e a pendura em frente a porta da frente. O leão aborda então a alface como um gato curioso, "engole" a alface e cospe fora as folhas, mas não o dinheiro. Supõe-se que a dança do leão traga boa sorte e fortuna para o negócio, e os dançarinos recebem o dinheiro como recompensa (além deste aspecto lúdico, o "Coi qing" era encarado como um pedido de proteção formal; ao aceitar o presente, a escola de Kung Fu cujos alunos realizavam a dança, comprometia-se a vir em socorro do comerciante caso seu estabelecimento fosse assaltado). A tradição tornava-se assim, uma transação mútua.

Outros tipos de "verduras" podem também ser usados para desafiar a trupe, quando, por exemplo, potes de abacaxi, laranja, banana e pedaços de cana-de-açúcar são usados para criar barreiras. A dança é também realizada em outras ocasiões importantes incluindo festivais chineses, cerimônias de inauguração de negócios e casamentos tradicionais.

Hoje em dia, os negócios não exigem muito dos dançarinos, e este é um dinheiro fácil para as escolas de artes marciais. Nos dias de antanho, a alface eram erguidos entre 4,5 e 6 metros de altura e somente artistas bem treinados em artes marciais podiam alcançar o dinheiro. Estes eventos tornaram-se um desafio público. Uma grande quantia de dinheiro era oferecida, e a platéia esperava um bom espetáculo. Algumas vezes, se leões de várias escolas de artes marciais abordavam a alface ao mesmo tempo, imaginava-se que os leões deveriam lutar para decidir quem seria o vencedor.

Os leões tinham de lutar com refinados movimentos de leão, em vez dos estilos caóticos de luta de rua. A platéia então julgava a qualidade das escolas de artes marciais de acordo com o que os leões haviam lutado. Dado que a reputação das escolas estava em jogo, as lutas eram geralmente ferozes, mas civilizadas. O leão vencedor usaria então métodos criativos e habilidades de artes marciais para alcançar a recompensa pendente nas alturas. Alguns leões podiam dançar sobre pernas de pau e alguns podiam formar pirâmides humanas compostas por seus colegas de escola. Os dançarinos e as escolas ganhavam elogios e respeito, em acréscimo à grande recompensa financeira, quando se saíam bem.  

Superstições

Os chineses são muito supersticiosos. Existem muitas coisas sobre o Leão que você absolutamente não pode fazer, por exemplo:

- Quando um Leão entra em um novo restaurante, ele vai até a cozinha e curva-se em saudação, para trazer boa sorte.

- Quando o Leão sai, ele deve sempre fazê-lo de costas. A pessoa que faz o rabo sempre sai primeiro. Alguns grupos não sabem disso e fazem com que a cabeça do Leão saia primeiro, o proprietário vê isto como má sorte.

- Outro grupo se aproxima de um tacho cheio de água onde tem um peixe vivo, o Leão deve pegar o peixe e devolvê-lo ao proprietário do restaurante e isto traz boa sorte.

- Faz parte da tradição chinesa dar coisas para o Leão, tais como alface ou até pedaços de cana no formato do personagem designado um ano específico. O Leão deve recolher as oferendas na ordem reversa daquelas que foram colocadas.

- É de costume pendurar coisas na porta de entrada para atrair os Leões, de modo que eles tragam boa sorte para o ano novo, pode-se pendurar dinheiro em barbante ou colocá-lo em um envelope.

Um sinal de desafio: Por ocasião de diversas cerimônias, quando os Leões de duas escolas diferentes deparam-se na rua, é costume que eles abaixem a cabeça e que o ritmo dos tambores que os acompanham diminua, em sinal de saudação amigável. Assim as duas escolas, simbolizadas aqui por seus respectivos Leões, se cruzam em paz. Se num momento qualquer acontece que a cabeça de um dos Leões fique levantada e que o ritmo do tambor se acelere, é um sinal de desafio que pode ser seguido por afrontas violentas até a destruição completa de um dos Leões.

Normalmente é o Leão Preto que chama pro desafio, o vermelho costuma aceitar facilmente, mas tem uma postura mais marcial (não costuma chamar para o combate), já o Leão branco e os coloridos são mais pacíficos e por isso são chamados de Leões auspiciosos.

Formação do grupo

Tambor: normalmente é o Sifu da escola

Pratos: ( 1 a 3) os alunos mais velhos (sihing ou sijie)

Gongo: o aluno mais velho da escola (daisihing ou daisijie)

Cabeça do Leão: o aluno mais habilidoso e corajoso.

Cauda do Leão: o aluno mais forte.

Monge Daitaufo, “ Monge cabeçudo”, personagem que segundo a tradição simboliza simplicidade e nobreza de sentimentos, para com a natureza e os animais. Durante a dança tem papel importante, pois de certa forma conduz o Leão mostrando-lhe o caminho por onde deve passar.

Uma dança dura entre 3 e 30 minutos ou mais.

 

DANÇA DO DRAGÃO

A dança do dragão é realizada em festividades como o Ano Novo Chinês, abertura de comércios e festivais. Hoje o dragão simboliza poder, dignidade, riqueza e respeito e acredita-se que ele espanta maus espíritos e traz boa sorte.

Os primeiros registros da dança datam da dinastia Han (206 A.C. – 220 D.C.) e a ela servia como um pedido de chuvas, pois acreditava que o dragão era um espirito-deus dos rios, responsável pelas chuvas, raios, estrelas e arco-íris. Com o passar do tempo a dança foi se popularizando e há registro de pelo menos 700 formas diferentes dela ao redor da China.

A dança consiste em o dragão seguir uma bola que representa a pérola da sabedoria simbolizando a sua eterna busca por conhecimento e esclarecimento. O dragão é carregado por número impares de pessoas, normalmente nove pessoas, mas podem chegar a vinte nove, essas pessoas devem fazer movimentos ondulados para dar vida a este ser lendário e a sincronia dos mesmos é muito importante para a beleza da dança.

As cores do dragão são sempre vibrantes e a cor predominante dele tem significados diferentes. O dragão verde simboliza a boa colheita; o vermelho representa boa sorte e felicidade; os dourados e prateados para prosperidade, entre outros. Há também o chamado dragão de fogo, que possui luzes vermelhas dentro dele e é usado em apresentações noturnas, por causa de suas luzes vermelhas, ele tem o mesmo simbolismo dos dragões vermelhos.

Os instrumentos utilizados para a música do dragão são os mesmos da dança do leão, tambor, gongo e pratos. E quanto mais longo for o dragão, mas sorte ele traz.

 

 

 

A origem militar do “Bastão de 8 trigramas do 5º irmão”

Revista KUNG FU TAICHI (Agosto de 2009)

&

Teoria de combate e de treino do “Bastão de 8 trigramas” do Hung Ga

Revista KUNG FU TAICHI (Outubro de 2009)

 Por Grão Mestre Frank Yee e Mestre Pedro Cepero Yee

Adaptação para o português: Sifu Washington Bezerra
(Termologia em cantonês)


Grão Mestre Yee Chi Wai 余志偉 (Frank Yee)

A eficácia das armas Hung Ga Kung Fu, embora raramente discutido, tem sido bem documentada. Isto levou a muita curiosidade sobre a história, filosofia, teoria e uso no estilo. A mais famosa e importante delas é o 五郎八卦棍 “Ng Long Ba Gwa Gwan” (Bastão de 8 trigramas do 5º irmão). Esta técnica descende de uma técnica de Lança de batalha que veio de um General da família Yang na Dinastia Song (960-1270). Conta à história que o General, após ser o único sobrevivente de sua família em uma batalha que foi traído, refugiou-se no Templo de Ng ToiSan ( 五台山 ), lá ele teve a permissão de ficar, com uma única condição, que retirasse a ponta de sua amada Lança (arma que era perito) pois no templo não se usavam armas com lâminas, e assim ele o fez, e virou monge. Nós reconhecemos este monge como o fundador do método passado até os dias de hoje. Para explorara as técnicas e a história, temos que primeiro entender as raízes militares que o bastão do Hung Ga deriva.

Lança usada em guerra
Nas guerras da China antiga, era dito que: "Quando se usa uma lança na guerra, é preciso ter força e coragem. Você não poderia ser fraco ou velho para se tornar soldado. Os soldados corajosos não podem se mover à frente dos que têm medo, e os que estão com medo não podem ficar para trás. Mesmo se tivermos mil soldados, todos eles devem se mover juntos como uma unidade, para frente e para trás, para a esquerda e para a direita”.

Para explicar essa idéia de campo de batalha nas antigas guerras, temos que pensarem formações de batalha em que os soldados ficavam em linha paralelas com pouco espaço entre eles, e cada vez que uma linha frontal caia outra subseqüente entrava em ação.

Cinco técnicas básicas eram aprendidas pelos soldados, para que pudessem sustentar essas formações de batalha: Estocar, puxar, bloquear para a direita, para a esquerda e círculos defensivos. Qualquer desvio dessa formação poderia significar a perda de homens e a queda da unidade inteira em si.

Mestre Pedro Cepero Yee treinando com seu Sifu, Grão Mestre Yee Chi Wai 余志偉 (Frank Yee)

Um fato interessante é que a lança era chamada de “O rei de todas as armas”. Isso é devido em parte à leveza da ponta de lança, que permite assim que a lança possa ter quase qualquer comprimento sem se preocupar em quebrar (pelo peso na ponta) ou mesmo bater no chão. O comprimento da lança de guerra era de 16 pés (4,8m), já os soldados que montavam cavalos usavam uma ¼ menor, com mais ou menos 12 pés (3,6m) e mais finas no diâmetro também. Armas como a grande Kwando, tridente e dupla marreta tinham o uso muito restrito devido ao seu peso e precisavam de alguém com muita competência para ser utilizadas de forma efetiva, já armas mais leves como lanças poderiam com muita eficiência por quase qualquer pessoa primariamente treinada, na guerra dizia-se que: “uma polegada mais longa, uma polegada mais forte”, indicando que se sua arma era mais longa seria mais fácil de alcançar seu adversário.

Professor Washington Bezerra executando a 花枪 “Fah Cheung” (Lança floreada)

花枪 “Fah Cheung” (Lança floreada)
A “Lança floreada” é um termo comum para técnicas que não servem para combate em campo de batalha. Essas técnicas eram mais comumente usadas para combates um-a-um ou contra poucos oponentes. Importante ressaltar que para que se use a técnica de “florear com a lança” é preciso de ela seja relativamente curta (2m) que a inabilita para o combate em guerra. No estilo Hung Ga, o comprimento mínimo é de 2m (até pela dificuldade moderna de se conseguir lanças ou bastões mais compridos).

As técnicas de “florear” com a lança, hoje, constituem apenas 30% do conjunto total de uso desta arma, mas em campo de batalha o uso era quase restrito a estocar. A técnica de “florear” se faz presente em todas armas longas, mas a estocada é quase exclusiva da lança.


O famoso General da Dinastia Ming, 戚繼光 Chit Gai Gong (Qī Jìguāng 1528-1588) era conhecido por criar inúmeras armas. Em seu “manual de combate” ele menciona: “Qualquer arma que não se use em guerra nós chamamos de floreio, isso é restrito a campo de batalha e pessoas pensam que uso de floreio não é útil, isso é errado, em combate contra um ou poucos atacantes, pular, florear, andar, puxar, manter distância, tudo pode ser usado efetivamente. Quando nós lutamos, nós não obedecemos a regras, nós usamos nossa mente, estratégia baseada na situação do momento. Ter apenas força e coragem não é suficiente, você precisa ter praticado muito tempo. Se você usar na rua o que funciona em campo de batalha apenas pára vencer, você estará limitando o uso completo das técnicas. É por isso que muitos soldados perdiam suas lanças e suas vidas, por limitar as técnicas. São situações diferentes lutar contra grupos e contra um ou poucos, ambos tem uma relação muito próxima, mas não são a mesma coisa”. E quem lê essa afirmação tem que tomar muito cuidado para realmente compreendê-la.


General 戚繼光 Chit Gai Gong (Qī Jìguāng 1528-1588)

Anatomia da Lança: Base, empunhadura, cabo e ponta
A “base” é a parte final, mais próxima de quem usa a arma, o meio é a “empunhadura”, a parte mais próxima da ponta é o cabo e a ponta em si. É importante ressaltar que o bastão do Hung Ga descende da Lança, portanto todas estas especificações de aplicam também a ao bastão.

Filosofia das quatro estações na “Lança (ou bastão) de oito trigramas”
Durante a época de Mestre Wong Fei Hung, o “bastão de 8 trigramas” era conhecido como: 四季飞龙棍 “Sei Gwai Fei Long Gwan” (Bastão de quatro estações do Dragão voador) devido as 4 formas de sugurar o bastão (Lança):

大阴棍 “Dai Yin Gwan” Grande Yin: parte interna da palma para cima

小阴棍 “Siu Yin Gwan” Pequeno Yin: Palma da mão direita virada para a direita

大阳棍 “Dai Yang Gwan” Grande Yang: parte interna da palma para baixo

小阳棍 “Siu Yang Gwan” Pequeno Yang: costas da mão direita virada para a direita

Um visão adicional coloca que além do Yin e Yang, as quatro estações podem ser equivalentes às quatro ponto cardiais (norte, sul, leste e oeste) além as quatro estações em si (primavera, verão, outono e inverno).

 


General
俞大猷 Yee Daí Yao (Yú Dàyóu 1503-1579)

Diferenças entre direita e esquerda no método de segurar o Bastão (Lança)
Seguindo a explanação que veio de um livro de um General da Dinastia Ming, Gim Ging (que significa: bibliografia curta) escrita pelo General 俞大猷 Yee Daí Yao (Yú Dàyóu 1503-1579):

“Quando nós movemos o bastão para esquerda, direita, para cima e para baixo, nós usamos todos os meios. O de segurar a lança pela “base” com a mão esquerda lhe proporciona mais força de alavanca, com a mão direita servindo apenas para apoio, pois, é a mão esquerda que dá a força a técnica. Este método é chamado de empunhadura de mão esquerda, que é oposto ao de mão direita.

O método de mão esquerda é incomum, sendo muitas vezes conhecido como 奇棍 “Kei Gwan” (bastão incomum). O mais freqüente é a empunhadura com a mão direita na base e a esquerda na frente, chamado de 正棍 “jing Gwan” (Bastão correto). A mão mais próxima da ponta é chamada de 前把手 “Chin Ba Sao” (mão que segura na frente) e a mão que segura a base é chamada de 后把手 “Hao Ba Sao" (mão que segura atrás). A força sempre vem da mão de trás (mão principal). A da frente funciona como um “vice-presidente” e provêm apenas assistência e direcionamento dos movimentos.

Ao seguir as informações que vem do livro “Hung Hao Ba Cheung” (A posição correta sobre o Rei) que escreveu sobre o método de empunhadura de 張飛 Jang Fei (Zhāng Fēi 167-221). Jang Fei foi um importante General famoso por fazer parte do “San Guo” (Romance dos 3 reinos).Na referencia a técnica de 8 lanças de Jang Fei cita-se:

“A mão que segura na frente ou “mão da lança” é 前把手 “Chin Ba Sao”, e a mão que segura atrás é 后把手 “Hao Ba Sao". A mão principal dá a força ou “Geng” que vem da mão de trás, É por isso que chamamos a mão esquerda da “fonte de força” , além disso, temos a mão Yang, com a palma virada para cima. A mão Yin é oposta com a palma virada para baixo”.


General 張飛 Jang Fei (Zhāng Fēi 167-221)


大门 “Daí Moom” (grande porta)
小门 ”Siu Moom” (pequena porta)

大门 “Daí Moom” (grande porta) e 小门 ”Siu Moom” (pequena porta)
“Grande porta” e “pequena porta” são técnicas marciais que derivam seus nomes das portas principais e secundárias das casas chinesas. Em uma casa a “grande porta” é a entrada principal, especial, que se recebem as visitas e os convidados. Dependendo do tamanho da casa, poderia haver uma porta pequena e duas portas laterais, que normalmente eram usadas como entrada de serviço, e também eram chamadas de “porta externa” e “porta interna”.

Método de segurar o bastão

Tudo que vem da esquerda para a direita nós chamamos de “grande porta”, e tudo que vem da direita para a esquerda chamamos de “pequena porta”.

Os 3 importantes pontos de guarda.
Quando se está de frente para o oponente, 3 pontos devem estar alinhados: seus dedos do pé, a ponta da lança e o nariz do oponente.

Os 3 níveis de método plano (horizontal) de Bastão
O 上平棍 “Seung Ping Gwan” (Bastão plano de nível superior) é usado sem postura marcial (de pé) alinhando os 3 pontos (pé, bastão e nariz) ao oponente.Quando se faz isso sua “porta inferior” fica aberta, podendo assim ser alvo de ataques de outros oponentes. Quando o oponente ataca, ele normalmente faz um movimento ao redor de do bastão para sair de sua arma, este é o momento para se atacar com um simples passo para frente e estocando diretamente.


上平棍 “Seung Ping Gwan” (Bastão plano de nível superior)

O 中平棍 “Jong Ping Gwan” (Bastão plano de nível médio) é usado para se mover para direita e esquerda, para cima e para baixo e é considerado o melhor dentre os métodos tendo assim o título de: “o rei do bastão”.


中平棍 “Jong Ping Gwan” (Bastão plano de nível médio)

O 下平棍 “Ha Ping Gwan” (Bastão plano de nível inferior) é o método usado contra oponentes com armas de médio ou curto alcance ou portando escudos ou usando técnicas de rolamentos no chão. Por ficar com o bastão apontado para baixo, quando se usa este método, nossa porta média e alta ficam vulneráveis a ataques, convidando assim o oponente a partir para a ofensiva, técnica essa também usada como uma “isca” para incentivar o oponente a atacar, para que você possa usar um contra-ataque e terminar o combate.


下平棍 “Ha Ping Gwan” (Bastão plano de nível inferior)

O ponto chave do “Bastão plano de nível médio”
Manter-se calmo. Se o oponente se move demais ao redor mantenha-se concentrado. Não importa se o ataque é alto, médio ou baixo, apenas o acerto na cabeça. Faça o oponente mover-se primeiro, e ao o acerte. Você deve ser rápido como um raio, esse é o único meio de fazer isso, de vencer.


毒蛇攔路 "Duk Se Laam Lou Gwan" (Serpente venenosa bloqueando a estrada)

Guia teórico dos 14 pontos chave
Após examinar as origens históricas do 五郎八卦棍 “Ng Long Ba Gwa Gwan” (Bastão de 8 trigramas do 5º irmão) e seus 108 movimentos e, digerir os conceitos de entendimento anatômico, de técnicas e posturas usadas, nós adquirimos uma sólida fundação para construir uma teoria de combate e técnicas de luta. Como em qualquer estilo, existe um conjunto de teorias que rege as aplicações práticas, teorias que soam quase como princípios. No Hung Ga foi criado “método de 14 pontos chave de bastão” são eles:

1) 长棍 - Cheung Gwan - Longo: refere-se a movimentos longos, distantes, estocadas e movimentos que usam toda extensão da arma. Além da estocada podemos citar um giro longo que usa toda extensão da arma o: 大展红旗 “dai zin hong kei” (brandir a bandeira vermelha).


1) 长棍 - Cheung Gwan - Longo


2) 短棍 - Duen Gwan - Curto: são os movimentos curtos, próximos, de puxar o bastão para si.

2) 短棍 - Duen Gwan

 

3) 剛棍 - Gong Gwan - Rígido: usa a força contra força, usa o firme para dominar o flexível, “Ser forte o suficiente para atravessar uma montanha”. – Gong não se refere a pessoa ser grande ou musculosa, mas sim, saber usar o “Geng” (força natural e inteligente) concentrando em uma única polegada toda força (sua e da arma).


3) 剛棍 - Gong Gwan - Rígido

4) 柔棍 - Yao Gwan - Suave: Suavidade é o oposto da rigidez, quando o oponente vem para cima você vai também usando o “Geng” para desviando sua força. “Usar a tranqüilidade para vencer a ação. Quando você não se move, eu me mantenho preparado, quando você se move, me dá espaço para te atacar primeiro e chegar antes ao objetivo”.


Professor Washington Bezerra executando 4) 柔棍 - Yao Gwan - Suave
Instrutor Guilherme Lopes executando 飞龙棍 “Fei Long Gwan” (Dragão voador)

 

5) 平棍 - Ping Gwan - Frontal: é também conhecida como 大门 “Daí Moom” (grande porta) são usados para atacar diretamente o oponente na grande abertura frontal .


5) 平棍 - Ping Gwan - Frontal

6) 膁棍 - Jing Gwan - Lateral: chamada também de 小门 ”Siu Moom” (pequena porta) é a entrada lateral.


6) 膁棍 - Jing Gwan - Lateral


7) 上棍 - Seung Gwan - Superior: Também conhecido como 杀 棍 “Saat Gwan” (Bastão assassino) ou 割 棍 “Got Gwan” (Bastão que corta) é um movimento feito de cima/direita para baixo/esquerda em um pequeno ângulo, como o de um machado cortando arvore.


7) 上棍 - Seung Gwan - Superior

8) 下棍 - Ha Gwan - Inferior: Ao oposto do 上棍 “Seung Gwan”, o 下棍 “Ha Gwan” busca a parte inferior do adversário, pé, joelhos, virilha ou bloquear atacar que vem de baixo ou estão em baixo.



8) 下棍 - Ha Gwan - Inferior


9) 迎棍 - Ying Gwan - Encontrar: É o momento que existe o bloqueio e os dois bastões entram em choque formando a forma de uma “cruz”, é chamado também de 十字 棍 “Sap Ji Gwan”, bastão na forma do ideograma 10, ou simplesmente de “bastões tesoura”, pelo formato cruzado lembrar uma tesoura.


9) 迎棍 - Ying Gwan - Encontrar

 

10) 休棍 - Yao Gwan - Inibir a aproximação; Manter a distância, não tentar usar força contra força, evitar que o oponente se aproxime.

 


10) 休棍 - Yao Gwan - Inibir a aproximação

11) 閉棍 - Bai Gwan - Fechar: Bai significa fechar ou fazer uma defesa extremamente sólida, em essência, fechando a porta, não deixando abertura.

 

 


11) 閉棍 - Bai Gwan - Fechar

12) 弹棍 - Tan Gwan - Estilingar (cima para baixo): movimento que usa o 直 勁 “Jik Geng” (força direta) para executar um movimento de cima para baixo. Quando este movimento é feito usando a troca entre Yin e Yang o bastão “chicoteia, estilinga como uma mola”, criando assim uma “onda” de choque, 弹 勁 “Tan Geng”, que potencializa seu resultado desarmando o oponente. Não é uma técnica simples e requer muito treino e estudo.


12) 弹棍 - Tan Gwan - Estilingar (cima para baixo)

 

13) 挑棍 - Tiu Gwan - Levantar (de baixo para cima): também usa o 直 勁 “Jik Geng” (força direta) em linha reta ou leve angulação de baixo para cima. É normalmente executado para golpear o oponente por baixo da área genital, queixo e garganta, ou para desarmar o oponente acertando sua mão por baixo de sua arma ou guarda.


13) 挑棍 - Tiu Gwan - Levantar (de baixo para cima)

14) 剔棍 - Tik Gwan - Abrir caminho (diagonal para cima): tem quase a mesma utilização do 剔棍 “Tik Gwan”, só que com um ângulo bem obliquo, praticamente a 45º, é um movimento extremamente ofensivo feito da esquerda para direita atravessando o que encontrar pelo caminho, é um movimento muito famoso chamado de: 橫掃千军 “Wang So Chin Gwan” (bastão que atravessa 1.000 soldados).


14) 剔棍 - Tik Gwan - Abrir caminho (diagonal para cima)

Os 14 pontos chaves também são conhecidos como 13 pontos e meio. Adicionalmente, quando simplificamos, o método de 14 pontos chaves deu origem aos “Lok Dim Bum Gwan” (bastão de 6 pontos e ½).Esta técnica é descrita no livro publicado pelo Grande Mestre Tang Fong (discípulo direto de Wong Fei Hung) intitulado: “ 五郎八卦棍 Ng Long Ba Gwa Gwan (Bastão de 8 trigramas do 5º irmão) de 1940.

六點半棍 - Lok Dim Bum Gwan, O bastão de 6 pontos e meio.

 

 


1) 割 - Got Gwan - Cortar: movimento da direita para esquerda com a palma interna da mão direita para cima, 大阴棍 “Dai Yin Gwan” (Grande Yin)
.
1) 割 - Got Gwan - Cortar

2) 拨 - But Gwan - Limpar: movimento da esquerda para a direita com as costas da mão virada para cima, 大阳棍 “Dai Yang Gwan” Grande Yang, quando combinado com “cortar” ela passa a se movimentar da direita para a esquerda, de Yin para Yang e este ato é conhecido com “Bastão Tai chi”.


2) 拨 - But Gwan - Limpar

 

3) 挑 棍 - Tiu Gwan - Levantar: movimento de baixo para cima bloqueando qualquer coisa em seu caminho.


3) 挑 棍 - Tiu Gwan - Levantar

4) 弹 棍 - Tan Gwan - Estilingar: movimento de cima para baixo em linha reta ou com um leve ângulo.


4) 弹 棍 - Tan Gwan - Estilingar

 

5) 拔 棍 - Bat Gwan - Puxar (resguardar): movimento feito com 圈勁 “Huen Geng” (força de rotação) para puxar o bastão para resguardá-lo e posteriormente acatar novamente.


5) 拔 棍 - Bat Gwan - Puxar (resguardar)

6) 点 棍 - Dim Gwan - Pontuar (estocar): Movimento ofensivo para perfurar o tórax, garganta, articulações, artérias ou até mesmo os pés.


6) 点 棍 - Dim Gwan - Pontuar (estocar)

 

½ ) 圈 棍 - Huen Gwan - Circular: movimento feito com pequenos círculos para frente ou para trás com o princípio do “Yin Yang”, a técnica de vale do movimento circular para usar esta onde de força para desarmar o oponente. É dito que: 剛柔并制 “Gong Yao Bin Jai” (combinar rígido e suave é uma técnica de mais alto nível).

½ ) 圈 棍 - Huen Gwan - Circular

Ponto chave: Artistas marciais preferem usar o 弹 勁 “Tan Geng” do que a força muscular rígida. A troca de Yin Yang te dá um efeito de “onda de choque” que quando descarregada contra a arma do oponente.

Mais sobre o “meio ponto” 圈 棍 - Huen Gwan
Técnica de círculo reverso: Se o oponente te pela direita 小门 ”Siu Moom” (pequena porta) você usa um círculo reverso para bloquear o ataque e em seguida o 大阳棍 “Dai Yang Gwan” (Grande Yang) para desarmá-lo ou atingir sua cabeça.

½ ) 圈 棍 - Huen Gwan - Circular reverso

Ponto Chave: Use o círculo reverso para a direita e o círculo normal para a esquerda de acordo com os ataques que vierem.

Técnica de círculo frontal: Se o oponente vem pela esquerda pela 大门 “Daí Moom” (grande porta) use um círculo frontal para cobrir sua arma e imediatamente golpeá-lo na garganta com o 飞龙棍 “Fei Long Gwan” (Dragão voador).


飞龙棍 “Fei Long Gwan” (Dragão voador)

Técnica combinada de círculos frontal e reversa: Ótima para treinar força inteligente 勁 “ Geng” para direita e esquerda usando as rotações para finalizar com 弹 棍 “Tan Gwan” ( Estilingar) ou rotação de punhos, também gerando 勁 “ Geng”.

Técnica de círculo interno e externo: Quando nós treinamos círculos, nos referimos normalmente a ponta do bastão. O punho, tórax e mão são muito importantes para fazer os círculos, que não podem ser muito amplos, normalmente para treino, usa-se um círculo em volta do bastão do irmão de treino, entre 35cm e 45cm no máximo.


標 龙棍 - Biu Long Qwan - Dragão penetrante

Técnica de meio círculo: é a técnica simples de bloqueio, chamada assim devido ao fato de se usar apenas 180º de rotação (meio círculo) e não 360º.

 

 

Mestre Pedro Cepero Yee é a 4º geração de alunos do Lendário Wong Fei Hung 黃飛鴻 (1847-1925)

O profundo entendimento da relação das técnicas com as posturas usadas, a anatomia do bastão, os 14 pontos chave, e os 6. Pontos e meio permitirão um agradável caminho para estudar diferentes métodos de treino e aplicações. Podemos citar alguns como: “Saat Gwan” (bastão mortal); 5 combinações de técnicas de treino; método de “gota d’água”; bastão de tesoura; portas viva e mortas; jovem e velho bastão entre outras. Com sério estudo, tempo e dedicação você eventualmente alcançará o sucesso na técnica de bastão, conhecido no Hung Ga como: 五郎八卦棍 “Ng Long Ba Gwa Gwan” (Bastão de 8 trigramas do 5º irmão).

 

 

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HUNG GA - O Kung Fu de Tang Fong, o “outro” pupilo de Wong Fei Hung

Revista INSIDE KUNG FU (Janeiro de 1985)
Texto de John Seetoo por Grão Mestre Frank Yee e Mestre Pedro Cepero Yee
Adaptação: Sifu Washington Bezerra (março de 2017)

Grão Mestre Tang Fong (1879-1955)

Wong Fei Hung, o fundador do Hung Ga como o conhecemos hoje e um dos imortais ícones do kung fu. A popularidade de seu estilo e como personalidade se deve muito as lendas contadas em inúmeros filmes (estrelados pelo renomado artista marcial Kwan Tak Hing) que contou as aventuras de Mestre Wong e de seu aluno Lam Sai Wing. Mas Wong Fei Hung também teve outros inúmeros e notáveis outros discípulos além de Lam, e um deles, Tang Fong, solenemente jurou que nunca ensinaria nada além do que seu amado mestre, Wong Fei Hung, havia ensinado, e dessa forma transmitiu as técnicas de seu mestre a sua 1ª geração de discípulos.

Poucos heróis da história da China conseguiram capturar a imaginação do povo chinês como “Mestre Wong” o fez. Um praticante de Hung Ga a nível lendário, Wong também era um herbologista, um professor e sucessor do legado de seu pai, Wong Key Ying que ficou famoso como um dos “10 tigres de kwangtung” (Cantão).


Grande ator e mestre, Kwan Tak Hing (1905-1996) interpretando Wong Fei Hung em um de seus 77 filmes.

Filmes, livros e a disseminação do Hung Ga para o ocidente
A popularidade de Wong Fei Hung multiplicou-se muito devido a série de filmes sobre ele criando assim um gênero totalmente novo de filmes (1º foi em 1947) os filmes de arte marcial, estrelados pelo renomado Kwan Tak Hing interpretando Wong Fei Hung. O mais famoso aluno de mestre Wong é Lam Sai Wing, calvo e robusto, era uma icônica figura que tinha sido açougueiro especializado em porcos. Um dos maiores fatores para florescer e propagar sua escola é atribuído a autoria de três livros publicados em seu nome: Gung Ji Fook Fu Kuen (dominando o tigre na forma do ideograma Gung), Fu Hok seung Ying Kuen (Forma combinada de tigre e garça) e Tid Sin Kuen (Forma da linha de ferro). Estes três livros foram primeiramente publicados para apresentar as técnicas de Hung Ga ao público, com isso mestre Lam teve facilidade para propagar e divulgar “sua versão” do Hung Ga na China, Hong Kong e eventualmente do outro lado do oceano, no ocidente.

Mestre Kwan Tak Hing presenteando Medtre Yee

Grão Mestre Tang Fong (1879-1955)

A razão do termo “sua versão” está no fato de no ocidente, e em especial nos Estados Unidos, poucos conheciam os outros discípulos de Mestre Wong. Lam Sai Wing ficou primeiramente conhecido devido a seu sobrinho, Lam Jo, que ensinou e formou notáveis alunos enquanto teve sua escola nos Estados Unidos. A imagem única e carismática de Lam sempre foi parte integrante da série de filmes dedicada a Wong Fei Hung, de modo que a ampla propagação da imagem de Lam a espectadores desinformados era inevitável.
Mesmo assim, Wong produziu outros notáveis discípulos, um deles, Leung Foon ficou famoso (com todo mérito) por trincar o chão abaixo de seus pés quando encaixavaa postura do cavalo (sei ping dai maa). Outro esplêndido discípulo dele foi Tang Fong.

“Velha mente quadrada” - Tang Fong, o discípulo tradicionalista
Tang Fong, que viveu além dos 80 anos era apelidado de Lo Wan Ku, traduzido literalmente como “velha mente quadrada”, isso se refere ao seu teimoso tradicionalismo. Ele uma vez disse que só iria ensinar aos outros o que seu mestre, Wong Fei Hung, havia lhe transmitido, e se recusava a adicionar ou retirar qualquer coisa ensinada por ele.

A invasão japonesa
Durante a época de Kuomintang (inicio de 1900) Tang Fong e seu irmão Tang Yee dirigiam uma escola chamada “Yee Yung Tong” (Hall de corajosos cavalheiros) e apesar de sua escola estar indo bem, Tang Fong foi forçado a deixar a China durante guerra Sino-japonesa. A ocupação japonesa da China, foi bem documentada em centenas de filmes, livros e, suprimiu vigorosamente escolas de Kung Fu e qualquer tipo de treinamento marcial no sul da China para evitar os grupo “patriotas rebeldes”.

A relação com Lam Sai Wing
Em face desta terrível situação, Mestre Tang Fong decidiu se unir ao seu parceiro de treino, Lam Sai Wing, já estabelecido em Hong Kong. Por um curto período, Tang Fong passou por um treinamento de técnicas adicionais sob a tutela de Lam Sai Wing, mesmo já formado mestre por Wong Fei Hung no sistema completo do Hung Ga (falaremos mais nestas paginas sobre as “adições” de Mestre Lam) esse evento criou muita confusão quanto à linhagem de Tang Fong quanto a quem eram seus professores, Wong ou Lam. Contudo, Tang Fong referia-se a Lam como Sihing (irmão mais velho) pois ambos eram alunos formados pelo mesmo mestre, Wong Fei Hung, e tinham a mesma patente em geração marcial, sendo Tang Fong apenas mais novo de treino com Mestre Wong do que Lam Sai Wing.

Aniversário de 75 anos de Tang Fong

A emboscada no Teatro Luk Sin
Tang Fong e Lam Sai Wing estiveram juntos por muitos anos. Um evento em particular que ambos compartilham foi a famoso combate em emboscada no “Teatro Luk Sin”. Como a história conta, um professor rival, que tinha enorme rancor contra os alunos de Wong Fei Hung preparou uma emboscada convidando alguns alunos de Mestre Wong a ir e depois trancando as saídas do famoso Salão Cantonês de ópera (Teatro Luk Sin). Após selar as saídas os alunos Tang Fong, Lam Sai Wing e seus irmãos de treino foram atacados. Como se sabe, Lam Sai Wing usou uma técnica que ele havia treinado e desenvolvido chamada de “Boneco de madeira de nove partes”, que é usado para treinar habilidades defensivas contra múltiplos adversários e isso facilitou que os alunos de Wong pudessem escapar da emboscada.

Tang Sou Kin, a “Rainha da Dança do Leão”
Durante seus anos em Hong Kong, Tang Fong estabeleceu grande reputação. Seus ensinamentos eram famosos por focar treinamento intenso de bases e detalhamento de das formas e principalmente, suas aplicações. Entretanto houve um de seus alunos que quebrou o tradicionalismo de Tang, e foi justamente sua filha, Tang Sou Kin. Uma mulher ativa até a década de 1990, Tang Sou Kin era sempre anunciada com “a Rainha da Dança do Leão” durante os anos 1920, época essa que mulheres não tinham permissão de praticar a tradicional da dança do leão ela já tinha bastante reputação devido a suas habilidades dentro das escolas tradicionais de Kung Fu. O próprio mestre Tang Fong fez uma demonstração de Dança do Leão para a Rainha Elizabeth na década de 1950, apesar dele já não estar tão bem de saúde há algum tempo.

Inclusão de armas
Por séculos famosos praticantes de Hung Ga ficaram conhecidos por ser especialistas em determinadas armas, Luk Ah Choy e Wong Key Ying com suas técnicas de “Bastão de 8 trigramas”, Wong Fei Hung pelas suas lendárias “facas borboleta”, Lam Sai Wing, talvez pela sua prévia experiência como açougueiro, era especialista em sabre, mas Tang Fong não tinha nenhuma “especialidade”, tinha uma habilidade equivalente dentre as armas do sistema Hung Ga, mesmo assim sua técnica de “Leque osso de boi” (Ngau Gwa Sin) era famosa em Hong Kong, mas muito rara de ser vista pelos olhos do público leigo.

Grão Mestre Yee chi Wai (década de 1980)


Inauguração da escola do Grão Mestre Yuen Ling

O legado de Tang Fong
Mestre Tang produziu uma lista de notáveis e valorosos alunos: Ho Lap Tin, Luk Kan Wing, Cheung Tai Hing e escolheu um aluno chamado Yuen Ling para ser seu sucessor.

Hoje em dia a versão do Hung Ga de Mestre Tang e Mestre Yuen é transmitida pelo mestre Frank Yee (Yee Chi Wai) que morou muitos anos em Nova York e já ensinava desde 1960 no Canadá. Mestre Yee também é famoso pelo seu conhecimento em ervas (Dit Dat Jow) na medicina tradicional chinesa, que aprendeu com o Dr. Chiu Wei Sit que vinha de uma longa e famosa linhagem de médicos muito famosos em Cantão e Hong Kong. Mestre Yee também teve seu pai com professor de Kung Fu além de ter sido discípulo de Mestre Yuen Ling até sua morte, ainda teve tempo de aprender Choy Li Fut e Shao lin do norte com seus irmãos antes de ir para Hong Kong.

O Hung Ga de Wong Fei Hung e suas variações
Mestre Yee reconhece as raízes de sua arte, ele é rápido para apontar as sutis diferenças práticas e teóricas entre o estilo mais ortodoxo de Tang Fong e a versão menos rigorosa de Lam Sai Wing.

De acordo com Mestre Yee, o Hung Ga passado por Wong Fei Hung consiste em 4 formas: Gung Ji Fook Fu Kuen (Forma dominando o tigre na forma do ideograma Gung) Fu Hok seung Ying Kuen (Forma combinada de tigre e garça) Ng Ying Kuen (Forma de 5 padrões) e Tid Sin Kuen (Forma da linha de ferro). A Forma “10 patrões” da linhagem Lam foi desenvolvida por Lam Sai Wing como uma versão extendida de técnicas adicionais aos “5 padrões” originais de Mestre Wong.

Em acréscimo a forma original foi adicionado ao treinamento de bases e da forma em si, o cultivo de energia de pontos específicos, teoria de combate aplicada à troca de técnica de animais, bloqueios e ataques com focos nas “pontes de contato” (Kiu) com o antebraço do oponente, o icônico bloqueio com um dedo levantado apontado para cima que carrega sua importância pragmática e histórica. Na prática, o bloqueio pode se converter em técnica de serpente ou garra de tigre, agarrando e travando os cotovelos e/ou punhos do oponente ficando difícil a reação do mesmo.


Fu Jow Gung, Grão Mestre Yee Chi Wai


Códigos no sistema
Historicamente, Hung Ga é cheio de “segredos”. O clássico bloqueio com uma “garra de um dedo levantado” era interpretado com uma mensagem de patriotismo, algo como: “Se todo Han (chinês) levantar um dedo contra os Chings (Manchus) nós os derrubaremos”. Mesmo a saudação do estilo Hung Ga, com a mão direita fechada e esquerda aberta é um código. O punho fechado representa a palavra Sol e a mão esquerda aberta representa a Lua, os 2 combinados forma a palavra “Ming”, seria mais uma mensagem secreta que quer dizer: “eu sou fiel a China e quero restaurar a dinastia chinesa autentica, a dinastia Ming”. Dinastia essa que comandou a China vinda do norte, além das muralhas.

Outro interessante fato, de acordo com mestre Yee, é a tradição de ter apenas 5 armas principais no Hung Ga de Tang: Bastão, sabre, Kwan do, tridente e facas borboleta. Existem linhagens que utilizam técnicas de espada reta, mas essa tem mais características de estilos do norte da China, mas foram adaptadas ao estilo, e lança do Hung Ga é diferente da do norte também que é mais ágil e flexível. Mestre Yee diz que as melhores armas para demonstrar as características singulares do sul são o bastão e o sabre.

As formas de armas foram acrescidas ao estilo após o lendário Hung Hei Gong, e vieram de várias fontes. A lança, por exemplo, tem origem na lança de batalha da família Yang, e remonta a dinastia Sung. Conta-se que durante uma batalha contra os mongóis, a família Yang foi traída e vencida em batalha e, apenas um filho dos 7 que haviam sobreviveu, e se retirou para o tempo shaolin, lá ele modificou a técnica de lança que era perito para uma de bastão, já que os monges não usavam lâminas.

Entre as modificações do sistema que Lam Sai Wing fez está o uso de armas mais características de escolas do norte, como estada reta e corrente.

A forma de execução da “Forma combinada de tigre e garça” na linhagem Tang Fong, por exemplo, é mais consistente, com bases sólidas enraizadas e “afundamento do qi” nas bases, já na família Lam as bases originalmente são mais altas e relaxadas, características encontradas comumente no norte, hoje devida a inúmeras significativas adaptações recentes desde Lam Jo, as bases ficaram bem mais baixas, bem diferentes das encontradas nos próprio livro do Mestre Lam Sai Wing.

A “versão de Lam”
Além dessas há outras várias adaptações feitas pelo mestre Lam ao estilo dele:
Mui Fa Kuen (Forma do punho de flor de ameixa): uma forma iniciante que ensina a troca de bases técnicas simples com o uso de “Sap Ji” (mãos cruzadas).
Wu Dip Jeaung (Forma da palma de borboleta): é considerada a forma com maior leveza no Hung Ga, com movimentos em linha reta e fluidos que incluem até “Fong tui” (chute furacão).
Lau Gar Kuen (Forma da família Lau): é outra composição que trabalha o rápido e o lento simultaneamente com trocas de posturas, movimentação em linhas retas em forma de quadrado é considerada a forma mais “polida” por sua impar tripla saudação.
Gung Li Kuen (Forma de força e trabalho): é uma forma essencialmente baseada no norte.
Gau Duk Kuen (forma de 9 punhos): é uma forma que demonstra nove técnicas famosas de Hung ga, incluindo: “Fu Mei Geuk” (chute cauda de tigre) “Maan Fu Ha San” (Tigre furioso derrubando a montanha) “Wu Dip Jeung” (palma de borboleta) e o famoso “Mo Ying Geuk” (chute sem sombra).

Grão Mestre Lam Sai Wing (1860-1946)

O bastão de três partes, corrente de varias secções, chicote meteoro (arma que sabe-se que mestre Wong dominava) e outras armas vieram do currículo familiar e de experiência marciais do mestre Lam Sai Wing.

Dan Fu Jow, Grão Mestre Yee Chi Wai

A tarefa de Mestre Yee
Mestre Yee tem profundo respeito e admiração pela linhagem de Mestre Lam, pela sua contribuição irrefutável e enorme na propagação das técnicas e do nome de Wong Fei Hung e do estilo Hung Ga em si. Em sua linhagem ele transmite todo o tradicionalismo de mestre Tang (seu avô marcial, Daisigung), mas também adicionou formas de armas, bem como conceitos de sua vasta experiência marcial, mas sem perder os conceitos fundamentais da cultura, medicina e filosofia chinesa tentando ir na “contramão” da modernização dos estilos antes tradicionais. Incluiu para seus alunos avançados o “DaMo Yit Gun Geng” (fortalecimento muscular de budidarma) dividido em 14 partes, é uma série de Qi Gong (trabalho interno) e movimentos para ativar a circulação vindas do templo Shaolin. Até hoje existe muito “mistério” no ocidente quanto à “energia interna” (Qi) e seus benefícios medicinais e para a saúde em si.

Seguindo a tradição de Tang Fong e Wong Fei Hung, Mestre Yee continua ensinando a qualquer um que tenha “bom coração e índole” seja ele: branco, preto, amarelo ou vermelho e de qualquer gênero ou idade.

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Madame Mok Gwai Lan - “A Tigresa”
Por Professora Giovanna Lopes (Janeiro de 2017)

Madame Mok Gwai Lan foi a quarta esposa de Wong Fei Hung. Eles se conheceram em uma situação muito inusitada, onde ela estava assistindo uma demonstração de Dança do Leão e Kung Fu durante um dia de celebração. Mok, aos 19 anos, já era uma artista marcial experiente e queria ver em primeira mão este homem famoso cuja reputação o precedeu. Enquanto Wong estava demonstrando o Yu Ga Dai Pa, ele chutou e seu sapato voou e bateu no rosto de Mok Gwai Lan. Irritada, ela saltou sobre o palco e deu um tapa na cara de Wong Fei Hung. Os alunos de Wong ficaram furiosos. Mok afirmou: "desta vez é o seu sapato, mas poderia ter sido sua arma e você teria matado alguém” Uma pessoa com o seu nível de Kung Fu não deveria jamais cometer um deslize como esse." Wong apenas sorriu e disse: "Você está certa, eu não deveria ter sido tão descuidado." Mok Gwai Lan desapareceu na multidão. Wong tinha se apaixonou por essa mulher tão forte e então a procurou e posteriormente eles se casaram.



A vida marcial de Mok Gwai Lan iniciou muito antes de conhecer Wong Fei Hung. Nascida na vila Kao-Yao, em Guandong, Mok Gwai Lan muito nova foi dada por seus pais a um tio, que a criou. O Tio de Mok tinha uma visão bastante liberal em questões de gênero e educação feminina e isso obviamente não era bem visto no final do século XIX. Ele era praticante de Mok Ga e Medicina Tradicional Chinesa e logo que chegou na família Mok iniciou seus estudos em ambas as áreas.

Este caminho não foi traçado sem alguma resistência. Mok relata que sua tia a proibiu de estudar as artes marciais porque acreditou que isso diminuiria suas qualidades femininas. Dessa forma, seu tio decidiu continuar a treiná-la em segredo. Aos 16 anos ela já era uma exímia praticante do estilo de sua família, bem como profissional de Dit Da.   Antes de Mok Gwai Lan, Wong Fei Hung foi casado por três vezes. Suas três primeiras esposas faleceram, então dizia-se que ele era amaldiçoado. Quando se casaram, por superstição, ele resolveu chamar Mok de concubina, porém ela sempre foi tratada de fato como esposa.   Após o casamento com Wong Fei Hung, Mok Gwai Lan iniciou os estudos em Hung Ga com seu esposo, que a tratava como qualquer estudante, sem privilégios. Seu treinamento era intenso e ela progrediu rapidamente.   Foi convidada a ser instrutora do exército, onde liderava um grupo de mulheres. Também era conhecida por suas habilidades em Dança do Leão, sendo a primeira mulher em Cantão a realizar uma performance em público. Era conhecida por ter bom coração, sempre ajudando e defendendo os fracos e necessitados. Em certa ocasião, foi manchete em todos os jornais da região por ter salvo uma mulher de um bando de ladrões.   Após a morte de Wong Fei Hung, aproximadamente em 1925, Madame Mok mudou-se com seus filhos para Hong Kong e durante a sua vida foi destaque em um grande número de publicações de artes marciais e jornais. Sua contribuição foi essencial para a disseminação do Hung Ga de Wong Fei Hung.   Madame Mok Gwai Lan continuou ensinando Kung Fu até a sua morte, em 1982 aos 90 anos.


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Ano Novo Chinês

COSTUMES E TRADIÇÕES
Por Professora Giovanna Lopes (Janeiro de 2017)

O calendário chinês é baseado no ciclo lunar e os chineses consideram 5 estações do ano e não 4, que são: primavera, verão, estiagem, outono e inverno. O ano se inicia junto com a chegada da primavera, que ocorre no 1º dia do ciclo lunar, por isso também é conhecido como “Festival da Primavera” ( 春 节 ) . É marcado por uma série de comemorações cheias de simbolismo, sendo a festividade mais importante para os chineses e inclui diversos rituais realizados principalmente para, segundo suas tradições e crenças, atrair boa sorte e trazer prosperidade:


Preparação da casa/comércio - A limpeza da casa na véspera do ano novo é realizada para “varrer” a má sorte junto com o ano que está terminando. Uma série de elementos é utilizada: O vermelho e o dourado são as cores que mais aparecem no ambiente. As flores, como flor de ameixa, peônia, orquídea, crisântemo, flor de lótus, fortunela, narciso, flor de pêssego, girassol, entre outras, são usadas com diversos significados, variando de região para região da China, mas em geral, cada uma delas representa boa sorte, prosperidade, amor, fortuna ou longevidade. Lanternas vermelhas são penduradas especialmente na entrada principal, onde ficam por 15 dias. As famílias se reúnem em um jantar onde são servidos os pratos tradicionais da culinária chinesa, incluindo tangerinas com as folhas intactas, que também são oferecidas como presente ou colocadas em local de destaque, sempre em números pares, para trazer sorte. As pessoas também costumam usar roupas com cores vibrantes, em especial vermelho, amarelo e roxo.

红 包 Hong Bao - Durante as comemorações, um envelope vermelho contendo dinheiro é geralmente oferecido como presente às crianças (dos mais velhos para os mais novos) ou dos casados para os solteiros. Dinheiro para os chineses representa sabedoria conquistada, seria como se os mais velhos presenteassem os mais novos com sabedoria para eles também conquistarem dinheiro.


Caracteres chineses  - Geralmente escritos em papel vermelho com letras douradas ou pretas, são colocados nas portas, paredes e janelas das casas e estabelecimentos comerciais.


福 ( Fú ) - É o caractere mais comum. Pode ser interpretado como "boa fortuna" ou "bênçãos". Durante o ano novo Chinês as famílias penduram esse caractere nas portas, paredes e janelas para atrair boa sorte e fortuna.

Algumas pessoas o penduram de cabeça para baixo, indicando que “a sorte chega”, pois, em mandarim, a palavra “chegar” (Dào - 到 ) tem o mesmo som de “de cabeça para baixo”( Dào - 倒 ), formando assim um jogo de palavras (trocadilho) que simbolizam a chegada da boa fortuna ou sorte.

Nas regiões onde se fala cantonês, em especial no Sul do país, não se usa o caractere Fu de ponta cabeça, pois a palavra invertida soa como jogar fora ou desperdiçar, por isso é um costume apenas de quem fala mandarim e não cantonês.

 

春 Chūn - Significa "primavera". Por iniciar junto com a estação, O Ano Novo Chinês ou Lunar também é conhecido como “Festival da Primavera”.


Frases de desejos para o ano novo - A frase mais comum e utilizada é 恭喜發財 ( Gōng Xǐ Fā Cái/Kung Hei Fat Choi) , No ocidente é interpretado como “Feliz ano novo”, porém na tradução literal 恭喜 significa parabéns e 發財 significa enriquecer, ou seja, é um voto de prosperidade.

Animal que representa o ano - O zodíaco chinês possui 12 animais (um para cada ano) e 5 elementos da natureza (terra, fogo, água, metal e madeira) que se revezam em um ciclo de 60 anos, por isso o ambiente é decorado com pinturas e trabalhos manuais contendo o animal que representa o ano que está iniciando. 2017 é considerado o ano do Galo no ciclo de fogo.

Retrato de Família – Nesta data, é muito importante fazer o retrato de família, onde o membro mais importante (mais velho) fica ao centro da foto.

Durante os dias seguintes os chineses continuam fazendo uma série de rituais, que finalizam na lua cheia (15º dia do ano lunar) com o Festival das Lanternas, uma grande festa onde lanternas contendo pedidos diversos são soltas no ar ou no rio. As tradicionais queimas de fogos e danças do leão e do dragão também marcam o encerramento das comemorações.

Fogos de artifício / Dança do Leão e do Dragão - As danças do leão e do dragão são realizadas para, segundo os costumes chineses, espantar maus espíritos e atrair boa sorte, assim como a tradição de soltar fogos, que também é um momento de diversão.